Cachorro remelando os olhos: quando é normal e quando preocupa
Um pouco de remela sem outros sinais pode ser só resíduo da lágrima. Secreção espessa, olho vermelho ou dor pedem consulta.
Resumo rápido
- Pouca remela, sem olho vermelho, inchaço ou incômodo, tende a ser apenas resíduo da lágrima.
- Secreção espessa e persistente pode indicar conjuntivite ou olho seco, que precisam de tratamento.
- Olho fechado, piscando sem parar, opaco ou vermelho é motivo de consulta rápida para proteger a visão.
Um cachorro remelando os olhos de leve, com um pouco de resíduo no canto e sem outros sinais, geralmente não preocupa. A lágrima tem água, óleo e muco, e parte disso pode secar ali. A remela preocupa quando é abundante, espessa, amarelada ou esverdeada, ou vem com olho vermelho, inchado, piscando muito ou opaco.
Quando a remela é normal
O olho do cão é protegido por uma película de lágrima formada por três camadas: água, óleo e muco. Cada uma vem de uma glândula diferente. Essa lágrima se espalha a cada piscada, limpa pequenas partículas e escoa por canais que levam até o nariz.
Por isso, um pouco de resíduo seco no canto interno do olho, principalmente depois que o cão dorme, tende a ser só o que sobrou desse processo. Os sinais de que está tudo bem são:
- pouca quantidade, que não volta logo depois de limpar;
- olho brilhante, sem vermelhidão;
- pálpebras sem inchaço;
- cão abrindo bem os dois olhos, sem coçar nem esfregar.
Quando a remela preocupa
Fique atento se a remela:
- aparece em grande quantidade ou volta rápido depois da limpeza;
- é espessa, grudenta, amarelada ou esverdeada;
- está em apenas um olho;
- vem com vermelhidão, inchaço, olho semicerrado ou piscadas frequentes;
- vem acompanhada de olho opaco, manchas na córnea ou mudança no tamanho do olho.
Principais causas de remela em cães
Conjuntivite
É a inflamação da conjuntiva, a membrana que reveste a parte interna das pálpebras e a área ao redor do olho. É comum em cães. Os sinais são olho vermelho, inchaço ao redor da córnea, secreção e desconforto leve. Pode ser causada por vírus, bactérias, alergias e irritantes do ambiente.
Uma pista útil: infecções costumam atingir os dois olhos. Quando só um olho está afetado, o veterinário pensa também em olho seco, corpo estranho ou inflamação do saco lacrimal.
Olho seco (ceratoconjuntivite seca)
Acontece quando o olho produz lágrima de menos. Em vez de proteger, a superfície do olho resseca e reage com uma secreção espessa e persistente, além de vermelhidão. Com o tempo, podem surgir feridas na córnea que demoram a cicatrizar e cicatrizes que atrapalham a visão.
Em cães, o olho seco está frequentemente ligado a uma inflamação de origem autoimune nas glândulas da lágrima. Cinomose, alguns medicamentos, herança genética e traumas são causas menos comuns. O tratamento costuma ser contínuo, muitas vezes pela vida toda, e é definido pelo veterinário após um teste que mede a produção de lágrima.
Problemas nas pálpebras e nos cílios
- Entrópio: a borda da pálpebra se dobra para dentro, e os cílios e pelos raspam o olho. Causa irritação, dor e piscadas involuntárias. É o defeito hereditário de pálpebra mais comum em várias raças.
- Ectrópio: a pálpebra se vira para fora, deixando a conjuntiva exposta. Isso favorece conjuntivites que vão e voltam. É mais visto em raças como Bloodhound, Bull Mastiff, Dogue Alemão, Terra-Nova, São Bernardo e alguns Spaniels.
- Cílios fora do lugar: cílios extras ou crescendo na direção errada podem provocar lacrimejamento e feridas na córnea.
Esses problemas costumam exigir correção feita pelo veterinário.
Canal lacrimal entupido
Quando o canal que leva a lágrima até o nariz fica obstruído, o olho lacrimeja além do normal. Se o saco lacrimal inflama (dacriocistite), surgem olho lacrimejando e conjuntivite que não responde ao tratamento comum. Alguns filhotes nascem sem a abertura desse canal, outra causa de olhos molhados.
Olho de cereja
É quando a glândula da terceira pálpebra sai do lugar e aparece como uma bolinha vermelha no canto interno do olho. Pode vir com secreção purulenta. É mais comum em cães jovens e em raças como Cocker Spaniel Americano, Lhasa Apso, Beagle, Pequinês e Buldogue Inglês. Cães com olho de cereja parecem ter mais chance de desenvolver olho seco depois.
Úlcera de córnea
É uma ferida na superfície do olho, geralmente causada por arranhões, objetos estranhos ou produtos químicos. Provoca dor, lacrimejamento e piscadas repetidas. Pode piorar com infecção. Precisa de atendimento rápido, porque a córnea é essencial para a visão.
Doenças que afetam o corpo todo
Algumas alterações nos olhos são sinal de uma doença geral. A cinomose, por exemplo, está entre as causas de inflamação no nariz e de olho seco. Manter o calendário de vacinas do cachorro em dia ajuda a prevenir essa doença. Se a remela vier junto com espirros e secreção nasal, veja também cachorro espirrando muito.
Tipos de remela e o que podem indicar
| Aspecto | Pode indicar | O que fazer |
|---|---|---|
| Pouca, seca, no canto, sem outros sinais | Resíduo da lágrima | Limpar com delicadeza e observar |
| Lacrimejamento constante | Canal lacrimal obstruído, cílios irritando, inflamação | Consulta |
| Espessa, grudenta, persistente | Olho seco ou conjuntivite | Consulta |
| Amarelada ou esverdeada, com olho vermelho | Conjuntivite com infecção | Consulta |
| Com olho fechado, piscadas e dor | Úlcera, corpo estranho | Consulta rápida |
| Com olho opaco, vermelho e pupila dilatada | Glaucoma ou outra urgência ocular | Emergência |
Como limpar a remela com segurança
- Use gaze ou algodão limpo e úmido, um pedaço para cada olho.
- Limpe com movimentos suaves, sem esfregar nem pressionar o olho.
- Não use produtos, chás ou colírios sem orientação veterinária.
A limpeza ajuda no conforto, mas não trata a causa. Se a remela volta sempre, o cão precisa ser examinado.
Como o veterinário investiga
Só olhar o olho nem sempre basta para o diagnóstico. O veterinário costuma reunir histórico e exame físico e pode fazer um teste que mede a produção de lágrima, exame da córnea, coleta de material da conjuntiva e, às vezes, biópsia. O tratamento depende da causa e pode combinar mais de uma abordagem.
Quando procurar o veterinário
Procure atendimento com urgência se o seu cachorro:
- mantém um olho fechado ou pisca sem parar;
- tem olho opaco, com a córnea inchada ou com mancha branca;
- está com o olho muito vermelho e a pupila dilatada;
- teve um arranhão, pancada ou contato com produto químico no olho;
- tem um olho que parece maior que o outro.
Marque uma consulta logo se:
- a remela é espessa, amarelada ou esverdeada;
- a remela volta sempre, mesmo com limpeza;
- há vermelhidão ou inchaço nas pálpebras;
- o problema está em um olho só;
- surgiu uma bolinha vermelha no canto do olho.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário.
Perguntas frequentes
É normal o cachorro ter remela todo dia?
Uma pequena quantidade, sem vermelhidão, inchaço ou desconforto, costuma ser apenas resíduo da lágrima. Se a remela é abundante, espessa, amarelada ou esverdeada, ou volta logo depois de limpar, vale consultar o veterinário.
Remela verde ou amarela no cachorro é conjuntivite?
Pode ser. Secreção com muco e pus é comum na conjuntivite, mas também aparece no olho seco e em outros problemas oculares. Só o exame do veterinário identifica a causa.
Remela em um olho só tem significado diferente?
Sim. Problemas em um único olho podem estar ligados a olho seco, corpo estranho ou inflamação do saco lacrimal. Infecções costumam afetar os dois olhos.
Posso usar colírio humano no meu cachorro?
Não use nenhum colírio sem orientação. O tratamento depende da causa, e alguns problemas, como úlceras na córnea, exigem avaliação antes de qualquer produto.
Fontes
- Distúrbios da conjuntiva em cães — Manual MSD de Veterinária
- Distúrbios da cavidade nasal e dos canais lacrimais em cães — Manual MSD de Veterinária
- Distúrbios das pálpebras em cães — Manual MSD de Veterinária
- Distúrbios da córnea em cães — Manual MSD de Veterinária
- Estrutura e função ocular de cães — Manual MSD de Veterinária
- Glaucoma em cães — Manual MSD de Veterinária
Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima, sob responsabilidade do editor Ricardo Machado. Conteúdo informativo: não substitui a consulta com um médico-veterinário. Como trabalhamos
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